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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Marchando com Barbra Streisand


JOÃO PEREIRA COUTINHO 


CONSEGUI ESCAPAR ao serviço militar obrigatório por razões médicas. Nada de especial. Meu pé esquerdo. 
Operado anos antes e com dois parafusos internos para mostrar, rumei para o recrutamento de bengala. E um atestado médico na mão. O médico talvez tenha exagerado um pouco no conteúdo e no tom da missiva. Mas, em defesa dele, declaro publicamente que fui eu quem pediu. "Totalmente inapto para servir nas Forças Armadas", lia-se na carta. Foi a primeira vez que a palavra "inapto" ganhou aos meus olhos contornos de elogio.
Cheguei cedo ao centro militar. Coxeando, claro, como um dr. House covarde. Um sargento apareceu aos mancebos e, com voz firme, ordenou: "É despir, pessoal, é despir!" A última vez que tinha ouvido semelhante ordem foi numa festa de aniversário onde havia excesso de álcool e déficit de pudor. Os pais da aniversariante ameaçaram processar a turma inteira. Mas divago.
Despi-me. Eu e mais cem. Em fila, fomos marchando, uns atrás dos outros, com as mãos a tapar as partes e os olhos postos nas nádegas do parceiro da frente. Desconfio que muitos dos meus companheiros descobriram uma homossexualidade reprimida nesse momento. Havia ereções lá pelo meio.
O médico das Forças Armadas analisou o meu processo, passou os olhos pela radiografia. Suei. Tremi. Mas ia preparado para tudo. Se o meu pé esquerdo não me salvasse, alegaria problemas psíquicos, aliás fáceis de comprovar por qualquer pessoa que conviva comigo.
E se os problemas psíquicos também não me salvassem, jogaria a carta decisiva: um CD de Barbra Streisand. "O que é isso", perguntaria o médico, horrorizado. "Isso", diria eu, aproximando-me dele como um felino em busca da sua presa, "isso, meu amor, é a prova de que estou louco por você". E beijaria o pobre coitado.
Felizmente, meu pé chegou para as encomendas. Saí do quartel, a bengala foi jogada no lixo. Mas hoje penso que, se a moda americana se espalha pelo mundo, milhares de outros rapazes não terão a minha sorte. Sim, eu sei: nos EUA, a tropa é facultativa. Por enquanto. Mas temo que a decisão do Senado irá criar doutrina. Segundo leio, a velha e inteligente política do "don't ask, don't tell" (não pergunte, não diga) foi derrubada por democratas e alguns republicanos. Os homossexuais poderão servir abertamente nas Forças Armadas. Aplausos?
Tenho dúvidas. Sou contra o preconceito. Aliás, para falar racionalmente, nem sequer o entendo: como escrevi anos atrás, citando o insuspeito Gore Vidal nesta Folha, "homossexual" é adjetivo, não substantivo. Descreve um ato, não uma "identidade". O que alguém faz entre os lençóis não tem qualquer relevância pública. Só púbica.
Acontece que essa minha posição é apenas válida num contexto civil e "democrático", em que os preconceitos não mexem com a sobrevivência da comunidade. As Forças Armadas, pelo contrário, não são uma instituição "democrática". Nem poderiam ser. São um corpo hierárquico, talhado para situações limite de vida ou de morte, e onde os "preconceitos" da soldadesca devem ser tolerados.
Faz parte da nossa sensibilidade moderna pretender impor os valores "corretos" em todos os contextos, grupos ou instituições. Mas é necessário respeitar a natureza própria de diferentes grupos ou instituições.
Se a maioria dos soldados prefere não ter "homossexuais" a bordo; se a mera possibilidade de haver "homossexuais" nas Forças Armadas não contribui para a coesão, a confiança e a concentração dos homens em conflito, é um absurdo perigoso pretender impor os valores "corretos" da vida civil a uma instituição onde a sobrevivência, deles e nossa, se joga a cada momento.
No caso dos Estados Unidos, sabemos hoje que, apesar da aprovação do Pentágono para a derrubada da anterior lei, os chefes dos Marines, da Força Aérea e do Exército se opunham a essa derrubada. Só a Marinha, talvez por inspiração cinematográfica (lembrar Fassbinder), se mostrava receptiva.
Estamos na presença de preconceitos? Não nego. Mas são preconceitos que têm em conta os sentimentos do coletivo. E, em cenário de guerra, o coletivo é tudo.
E se o leitor pensa que defendo isso para que meus filhos e netos possam fugir das casernas com um CD de Barbra Streisand, desengane-se. Um mundo seguro é mais importante que Barbra Streisand.






sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Lembranças da ditadura


Ernesto Geisel, presidente da República, da ativa ou da reserva? De acordo com as “normas” ou as “regras” impostas pelos que tomaram o poder, tinha que ser de 4 estrelas e estando ainda na “ativa”.

Helio Fernandes
De forma elegante, amável, delicada, o leitor que usa apenas as iniciais G. B., me “cumprimenta pelo texto”, mas discorda de colocações minhas, a respeito do general Geisel ter assumido a Presidência da República (em homenagem ao leitor, que presumo militar, não usarei as aspas habituais) “estando ainda em serviço”. Ou seja, na ativa. Se diz PERPLEXO, vou tentar livrá-lo desse sentimento, nada confortável.
Apesar de primeiro aluno, Ernesto Geisel fez carreira lenta, com mais sucesso (inicial) na atividade pública do que mesmo na carreira militar. Só chegou a capitão com 32 anos. (Prestes, por exemplo, aos 23 quase 24 anos, já estava nesse posto. Antes dos 30 deixou o Exército por VONTADE PRÓPRIA , seDEMITIU, em 1936 foi EXPULSO. Que República).
Essa citação das promoções tem muita importância, principalmente para a resposta e pela citação de G. B. de que Ernesto Geisel “foi 4 anos presidente da Petrobras”. E foi mesmo, explico depois. General de brigada em 1961, com 58 anos, logo em novembro do “prodigioso” movimento de 64, promovido a general de divisão, com 61 anos.
Agora a “chave” de tudo, que provocou a tua PERPLEXIDADE e o fato, queRARÍSSIMAS pessoas conhecem, que é rigorosamente verdadeiro. Geisel e Golbery foram intimíssimos. Golbery teve seu apogeu de 64 a 67. Em 1974, “voltaria” como Chefe da Casa Civil de Ernesto Geisel, mas não fez mais nada, Geisel “pensava que fazia tudo”.
(Contarei a “genialidade da estratégia” de Golbery, de março/abril de 64 a novembro de 1966, quando cumpriu objetivos programados, internamente e exercitados no país inteiro. Hoje, o espaço é do general Geisel. Mas não esquecerei de Golbery. Abandonarei análise pessoal sobre sua vida, mostrarei as “genialidades” praticadas por ele dos 9 meses de 1964 até outubro de 1966).
Chefe da Casa Militar de Castelo Branco, o general Ernesto Geisel e Golbery eram amigos e fizeram essa amizade crescer pelo combate que davam a uma possível candidatura de Costa e Silva à sucessão de Castelo. Este, como sempre, não diretamente, estimulava os dois. Com isso, era mais do que conhecida aINIMIZADE entre eles.
Costa e Silva, que esperava assumir o Poder total logo em 1º de abril de 64, se considerou “traído”, aceitou o Ministério da Guerra, para controlar tudo. No final de 1965, início de 66, Costa e Silva era tido e havido como futuro presidente, embora o Planalto “trabalhasse” contra ele. Nessa época, Costa e Silva resolveu viajar ao exterior, na verdade não era uma viagem e sim um desafio.
Como sua viagem era “pública e notória”, apregoavam: “Será demitido na ausência”. Podem dizer tudo de Costa e Silva, menos que fosse covarde ou não participante. E mostrou e demonstrou isso no aeroporto, ao dizer: “Embarco Ministro e volto Ministro”. Que foi o que aconteceu. Quem teria coragem e força para demiti-lo? Esses fatos são importantíssimos, para revelar aESTRATÉGIA perfeita de Golbery, para salvar a ele e Ernesto Geisel.
Convencidos (ninguém tinha dúvida, principalmente os dois, que manobravam tudo) que Costa e Silva ocuparia mesmo o Planalto, seriam atingidos e não teriam mais nenhuma importância, Golbery então traçou o plano para “fugir” da presidência Costa e Silva, hoje revelo apenas a parte que coube a Ernesto Geisel.
Era o seguinte, dividido em etapas. 1 – Em junho-julho de 1966, Geisel ainda era general de divisão. 2 – Com a concordância e a cumplicidade de Castelo Branco, em outubro/novembro (ainda de 66), aos 63 anos (tardíssimo) foi promovido a general de exército. 3 – Era a primeira parte do “plano de fuga”.
4 – Em dezembro, Ernesto Geisel foi nomeado ministro do STM (Superior Tribunal Militar), cargo privativo de general de exército, da ATIVA. 5 – Sua intenção: assumiu com quase 64 anos, a “expulsória” era aos 70, iria para casa, Costa e Silva não poderia atingi-lo de maneira alguma.
6 – Mas como hoje, muita gente faz planos para dentro de quatro ou até oito anos à frente, o futuro favoreceu Ernesto Geisel. Costa e Silva teve um “AVC” em meados de 69, foi considerado “incapacitado” e morreria em dezembro desse mesmo 1969.
7 – Geisel, que pretendia ficar no STM até 70 anos, saiu imediatamente, logo nesse 1969 foi nomeado presidente da Petrobras. (Ficou lá os quatro anos rigorosamente certos, citados por você). E mais teria ficado se mais lhe fosse necessário.
8 – Acontece que em 1973, sua candidatura presidencial já se fortalecera, se concretizara, se consolidara, até mesmo por causa do veto ao irmão Orlando para suceder Costa e Silva. (Não muito íntimos, Ernesto era espartano, Orlando ateniense. Era tido e havido como o “aristocrata” do exército, o que não agradava a Ernesto. Tiveram uma briga até violenta, quando Orlando foi “escolhido e nomeado” presidente da então multinacional Light, com salário astronômico.
9 – Portanto, G. B., tua “perplexidade” tem razão de ser, é que a situação ficou dúbia. Eu não estou errado, é que ao “fugir” da realidade Costa e Silva, o então Ministro do STM não podia imaginar que chegasse ao Alvorada por causa da irrealidade da morte do mesmo Costa e Silva.
Agora, desculpe, G. B., as reformas institucionais não foram feitas por Castelo Branco. O sistema militar, da forma como surgiu a partir de 1930, era um Prêmio Nobel coletivo, principalmente para coronéis e generais. Ocupavam os mais variados e importantes cargos civis, não passavam para a reserva, eram promovidos fora dos quartéis, navios e aeronaves, um festival nunca visto.
A chamada “oficialidade jovem”, (prejudicada, não era promovida, e não saindo ninguém “lá de cima”, não havia promoção na parte de baixo da pirâmide) pressionou os constituintes de 1945/46. Obtiveram vitória razoável, embora não definitiva.
Criou-se então a “Lei militar dos 8 anos). Qualquer oficial do Exército, Marinha ou Aeronáutica só podia ficar fora da atividade militar por esses 8 anos, seguidos ou interrompidos. Mas isso só passou a valer a partir de 1947, dezenas ou centenas de generais só colocavam a farda para solenidades ou coquetéis (Logicamente, não “Molotoves’).
Mais tarde é que foi feita a reforma total e importantíssima, que dura até hoje, a “Lei dos 12 anos”, que democratizou, que palavra, a permanência dos generais na ativa. A aposentadoria ocorria quando o general atingia 64 anos. Fizeram então o seguinte, com esquadro, régua, recorrendo à aritmética, e que agradou (ou não desagradou) a todos.
Os generais continuaram a se aposentar aos 64 anos, ou então nas condições que estabeleceram. Só podiam continuar na ativa, como generais, 12 anos (a partir de brigada) ou quatro anos de general de exército.
Como os coronéis geralmente eram promovidos aos 50/52 anos,chegavam aos 64 iam para casa, sem prejuízo ou preterição.
***
PS – Houve um único caso, precisamente com Ernesto Geisel. O general Euler Bentes Monteiro chegou a general mocíssimo, aos 48 anos, com 60 caiu na expulsória. Geisel prometeu a ele a presidência da Petrobras, preferiu nomear o japonesinho Shigiaki Ueki. (Hoje, com mais poços de petróleo no Texas do que a família Bush. Ueki e os filhos moram lá, raramente voltam ao Brasil).
PS2 – Ninguém se aproveitou mais do Exército do que Ernesto Geisel. Fez duas carreiras, s-i-m-u-l-t-a-n-e-a-m-e-n-t-e, uma civil, outra militar. Segundo-tenente no Rio Grande do Norte, também secretário da Fazenda.
PS3 – Promovido a primeiro-tenente, (e no Exército, a cada promoção, um “remanejamento”) foi para a vizinha Paraíba, o interventor Gratuliano de Brito nomeou-o secretário de Desenvolvimento. E assim, praticamente até o último e mais elevado cargo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O poder do SNI e o fim trágico de Walter Clark


Helio Fernandes
Aquino, como militar, deve ser lida com atenção a tua denominação de estrategista para Golbery do Couto e Silva. Para mim ele foi um grande “estrategista” em causa própria, cuidou de si mesmo, passou a vida tentando golpes para chegar ao Poder. Mas só conseguiu ser vitorioso quando já estava na reserva. Você sabe que os oficiais da ATIVA detestam e até repudiam os que passam para a reserva, esquecidos de que também será esse o futuro de todos.
Golbery foi sempre derrotado na ATIVA, e na verdade não passou de tenente-coronel, se reformando como general por causa das duas promoções, então obrigatórias. Sendo apenas militar, deixou os herdeiros satisfeitos. Conseguiu ser presidente (no Brasil) da Dow Chemical, que ganhou fábulas vendendo napalm (destruidor de vidas e territórios) aos EUA, e retardando o fim da guerra do Vietnã.
Quando Jânio Quadros “renunciou”, Golbery que era bom estrategista de si mesmo, percebeu que estava acabado, passou para a reserva, foi para a fazenda (magnífica) que tinha no interior de Goiás. Onde já estivera como punição. E aí começou verdadeiramente seu sucesso.
Ao contrário do que ele mesmo imaginara, conseguiu o “golpe” vencedor. Nos bastidores, a participação de Golbery foi intensa e imensa. Quando chegou ao Poder, vencera em todos os sentidos, destruiu o ostracismo, todos bajulavam o “general”. Rico, poderoso, o que seria contratempo para qualquer um, menos para ele. Teve que deixar a presidência da Dow Chemical, passou a presidente de HONRA. Com as mesmas vantagens, benefícios, mordomias.
Verdade seja dita, registrada, ressaltada, ressalvada: jamais participou de tortura, não era adepto da violência. Só se interessava por dinheiro e Poder. Gostava de viver confortavelmente, bem informado, sabia que os torturadores matam e violentam, mas também não têm tranqüilidade, são caçados pelos torturados. (Pelo menos os poucos que sobrevivem).
Foi o homem que deu forma, sentido e conteúdo ao SNI. Que imitava, no possível, a estrutura da CIA, embora Golbery raramente saísse do Brasil. Transformou esse órgão de espionagem num centro de Poder tão importante, que com a morte de Costa e Silva, com exceção de um único, todos os “presidentes” tinham que ser desse SNI.
Menos ele, o mais importante de todos. Sabia de “ciência própria” que o Exército jamais aceitaria (mesmo ou principalmente numa ditadura) um “presidente” que não fosse general da ATIVA, 4 estrelas, e que não fizesse concessões, a não ser ratificadas pelo alto comando.
Essas diretrizes eram tão entranhadas no processo militar e na própria sucessão ditatorial, que quando Costa e Silva morreu, para escolherem o “sucessor”, pela primeira vez colocaram urnas em quartéis, navios, estabelecimentos da Aeronáutica. E o general de 3 estrelas Afonso Albuquerque Lima, derrotou o general Orlando Geisel. Golbery fez campanha para ele, era intimíssimo dos dois irmãos. Albuquerque Lima não tomou posse, por causa da declaração do derrotado Orlando Geisel: “Como é que um general de 4 estrelas, como eu, vai bater continência a um presidente de 3 estrelas?” Ha!Ha!Ha! Orlando Geisel foi o criador e movimentador do DOI-CODI, antes como CODI-DOI. (Isso fica para outra oportunidade).
O “presidente” inicial, saído do SNI, foi o general Médici. Não queria mesmo, não era desprezo ou desinteresse pelo Poder, e sim cansaço. E rigorosamente verdadeiro: achava que não tinha condições de ser “presidente”, mesmo com todas as aspas, bordados e paetês. Finalmente aceitou, dividiu o Poder com Orlando Geisel, que foi repudiado para “presidente”, mas mandou mesmo. (A segurança do país, que incluía tudo, ficou sob o comando dele).
E sem qualquer dúvida: Médici ratificou, direta ou indiretamente, sabendo ou não sabendo, querendo ou não querendo, todas as violências praticadas. E não apenas no Rio, São Paulo e Pernambuco. Foi o primeiro a dizer, do alto do Planalto, 30 anos antes de Lula: “Eu não sabia de nada”.
Com Ernesto Geisel “eleito” para sucedê-lo, Médici fez a única exigência, numa pergunta pessoal a quem iria substituí-lo: “O general Golbery ocupará algum cargo no seu governo?”. E Ernesto Geisel, arrogante, prepotente, não torturador, mas que não podia prescindir de Golbery, respondeu: “Golbery? Não o vejo há anos”. Golbery seria o homem-forte de Ernesto Geisel. O que o “presidente” que assumiria poderia dizer?
Golbery dominou os 5 anos de Ernesto Geisel, utilizou seu estilo de não aparecer muito, mesmo porque, naquela época, o exibicionismo tinha pouco espaço. Hoje, todo esse espaço vem da televisão. Chateaubriand trouxe a televisão para o Brasil em 1950, custou a se firmar. Hoje, sem televisão, poucos existem. E os “proprietários” de canais de televisão, têm que agradecer à ditadura e aos ditadores. Enriqueceram e se tornaram poderosos, com a COLABORAÇÃO e aSUBSERVIÊNCIA aos generais.
***
PS – Anteontem, sábado, num programa de televisão sobre o “massacre” ao maior cantou popular de uma época, Wilson Simonal, o Boni, que começou na Tupi e só foi para a Globo quando ela estava qualificada, consolidada e garantida, afirmou: “A TV Globo foi muito censurada e policiada, não podíamos divulgar nada, sem AUTORIZAÇÃO”. Ha!Ha!Ha! Nunca imaginei que o Boni fosse tão audacioso e desinformado. Ha!Ha!Ha!
PS2 – Na verdade, Walter Clark foi quem fez tudo na TV Globo. Mesmo internamente, é considerado “o único gênio da televisão brasileira”. Até começar a beber, “bebeu tudo o que existia ou que podia”.
PS3 – Uma noite, o “presidente” Geisel recebeu todo o comando da TV Globo para um jantar no Planalto. Bêbado, Clark espinafrou a ditadura e o próprio Geisel, caiu desmaiado. Foi retirado do jantar, como se fosse um lixo. E para Roberto Marinho (presente, lógico), era mesmo lixo. Não aguentava mais ser “o segundo na própria empresa”. Ali mesmo Clark foi demitido, o poderoso chefão comunicou o fato ao “presidente” de viva-voz.
PS4 – Termino aqui, agradecendo ao Aquino a oportunidade de lembrar em vez de esquecer. Acabava a Era Golbery, mas o “sistema 64” continuava dominado pelo SNI. Depois de Geisel, veio Figueiredo, sucessão tumultuadíssima, quase outro golpe dentro do golpe.
PS5 – Como presidente, (vindo do SNI) Figueiredo quase não pôde fazer nada, “inimigos” de todos os lados. Basta dizer que, numa obra no gabinete de Figueiredo, encontraram todo um esquema de CENSURA E ESCUTA, MONTADO PELO SNI.
PS6 – O audacioso e onipotente chefe do SNI, que se atrevia a “CENSURAR” o próprio “presidente” militar, era o General Otavio Medeiros. Que determinou (e mais verdadeiro, comandou) o “empastelamento” da Tribuna da Imprensa e a catástrofe (que não houve por milagre?) do Riocentro, foi esse mesmo Otavio Medeiros.
PS7 – Já estava acertado, o próximo presidente seria esse general-do-SNI. E como Castelo ficou 3 anos, Médici 4, Geisel 5, Figueiredo 6, Otavio Medeiros teria 7 anos para permanecer no Planalto.
PS8 – Como a ditadura acabou antes, o general Otavio Medeiros “perdeu um país inteiro”. Passou a beber mais do que o Walter Clark. Como chefe do SNI, tinha mais de 300 seguranças. Desesperado e embriagado, andava na rua, ia aos supermercados, ninguém o reconhecia ou ameaçava. Isso foi o que o levou à morte. O diagnóstico médico? Nenhuma importância.

domingo, 12 de dezembro de 2010

"Tetro": filme grandioso e sublime

Coppola filma as dores dos laços familiares

Cineasta alia tragédia forçada por clã com discurso sobre a boa arte ser sempre, em algum nível, insuportável 

INÁCIO ARAUJO
CRÍTICO DA FOLHA 


Para o cineasta Francis Ford Coppola, nunca existiu nada além da família.
De lá vêm nossas dores, afetos, esperanças, pensamentos, ciúmes, rivalidades, frustrações, vaidades. Ou antes: existem outras coisas, claro, mas importam pouco, são meramente acessórias, existem apenas para que a trama familiar possa se desenrolar plenamente. 
Já era assim na trilogia "O Poderoso Chefão": ali tudo era família, tudo era feito por ela, para preservá-la. 
Não por acaso, Coppola trouxe para seus filmes Talia Shire, a irmã, Sofia, a filha, Nicolas Cage, o sobrinho, e Carmine, o pai. 
Quando os críticos falaram as últimas de Sofia como atriz no "Chefão 3", Coppola limitou-se a dizer algo assim: quando querem nos ferir, ferem quem nós amamos. 
"Tetro" é o retorno dele à família -à questão familiar- neste que é possivelmente o mais belo filme até aqui do século 21. 

FUGA 
Tetro, aliás, é o nome que adota Angelo Tetrocini, conhecido em sua juventude como Angie, o jovem escritor que some de sua casa, de seu país e de seu nome, quando vem bater em Buenos Aires. 
Tetro foge do pai. Do poder esmagador dele, do grande maestro, do gênio da família, daquele que quer para si toda a fama, toda a glória e, também, todas as mulheres (como o pai do "Totem e Tabu", de Freud, não esqueçamos). 
Após passar por um hospício, Tetro (Vincent Gallo) vive com a psiquiatra Miranda (Maribel Verdú), quando recebe a visita de Benjamin (Alden Ehrenreich), vulgo Bennie, seu meio-irmão caçula. Bennie, o indesejável: aquele que religa Tetro à família, ao pai, ao acidente de carro em que morreu a mãe. 
Bennie como que leva a tragédia familiar a Buenos Aires e, com ela, a lembrança terrível do pai, o maestro Carlo Tetrocini (Klaus Maria Brandauer), que, antes de esmagar o filho, já arrasara a vida do irmão, Alfredo (também Brandauer). 
Mas, sobretudo, é Bennie quem remexe os papéis de Tetro até que encontra um manuscrito escrito em código por ele. O livro de que não admitia se separar quando estava internado. E que, agora, não pretende rever. Então chegamos ao segundo tema do filme: a arte ou, mais especificamente, a literatura. 
E nesse capítulo Coppola é muito claro em suas propostas: toda boa literatura é ilegível (no fundo ou ostensivamente) e toda boa arte é, em algum nível, insuportável. 
Todo o resto pertence ao universo não das letras, mas da dita celebridade. Não é outro, aliás, o papel de Alone (Carmen Maura), a temida crítica teatral: distribuir celebridade entre os autores. 
Mas a arte não é isso. Trata-se de buscar o âmago das coisas, da existência: aquilo que faz de nós o que somos ou não somos, aquilo de que se fala sem falar, porque é impossível dar conta. 
É isso "Tetro": uma "banana" para o mundo artístico (e cinematográfico), uma "banana" para a fama. Um alô para a dor inescapável dos laços, também inescapáveis, da família: a tragédia. Porque, se não há felicidade possível, ao menos que exista a beleza, parece nos dizer este filme grandioso e sublime. 

TETRO 

DIREÇÃO Francis Ford Coppola 
PRODUÇÃO EUA/Espanha/Itália/ Argentina, 2009 
COM Vincent Gallo, Carmen Maura 
ONDE no Cine Sabesp, Espaço Unibanco Augusta, Reserva Cultural e circuito
CLASSIFICAÇÃO 12 anos 
AVALIAÇÃO ótimo 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Aécio Neves dá as cartas no PSDB


José Serra, no mesmo dia da segunda derrota presidencial, anunciou todo satisfeito: “Isto não é uma despedida, um adeus, e sim um até logo”. Aécio queria esperar, decidiu: “Minha hora é agora”.

Helio Fernandes
Com esse ministério trivialidade-inutilidade-interinidade, a oposição (ou seja lá o que representa a palavra num regime “presidencialista-pluripartidário”) despertou. Não era letargia, apenas silêncio, para não desfechar ou ratificar a crise interna do PSDB.
Mas Aécio, que só pretendia agir depois da posse de Dona Dilma, percebeu, foi aconselhado a quebrar o silêncio imediatamente, mostrar ao país, “o líder do PSDB sou eu, e com isso acumulo a liderança de toda a oposição”.
José Serra não tem charme, carisma, liderança, já conseguiu na vida pública (e logicamente particular) muito mais do que merecia. Foi tudo inesperadamente, até ele acreditou que poderia ser presidente da República, o que faltava no “currículo”.
Não enganou ninguém. Desde 2002, digo, “Serra jamais será presidente”. Lógico, era análise e não adivinhação. Embora não seja brilhante nem tenha passado (nem presente ou futuro) de analista-estrategista, o que Serra afirmou no dia da derrota final (e está no título destas notas) foi uma boa jogada e deu margem a várias interpretações.
Amigos e inimigos, correligionários e  adversários identificaram como provocação. Até podia ser, mas pela primeira vez Serra fazia jogada inteligente (!), que confundiu até mesmo seu grande protetor, Fernando Henrique Cardoso, a quem deve tudo. (O resto veio com o exílio, no qual conquistou 300 títulos sem autenticidade e que nenhuma Universidade ou autoridade do Brasil reconhece).
Enquanto Serra “sofre” dependendo da longevidade, o ex-governador e agora senador de Minas, é atingido pelo mesmo “sofrimento”, só que na contramão. Todos dizem há anos: “Aécio é muito moço, pode esperar”. Mas na verdade já não é tão moço, já foi.
Governador de Minas aos 42 anos, reeeleito com 46, na certidão de nascimento está com 50 anos, mas na realidade eleitoral e política, tem 54. Pois a próxima eleição presidencial será em 2014. E para o “jovem” Aécio só restou essa disputa, não há nenhuma outra possibilidade.
Mas no Brasil político e eleitoral, existe uma figura que assusta todo e qualquer possível adversário. Seu nome? Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-governador de São Paulo já cumpriu a sua cota de derrotas para o mesmo vencedor. Sonha com o terceiro “enfrentamento”, em 2014, estaria com 72 anos, Lula com 69. Mas a diferença não estaria na idade e sim no destino.
Não é por acaso e sim por destinação, que alguém como Lula disputa cinco (5) vezes seguidas a presidência da República, três (3) vezes é derrotado, mas não é destruído. Continua, ganha duas vezes, tenta e não consegue outro mandato, mas deixará o governo (deixará também o Poder?) COGITADÍSSIMO para novo mandato, dependendo das circunstâncias.
Dá a impressão de estar se divertindo muito, ao contrário de Sarney e FHC, que vivem o último ciclo da amargura, ressentimento, no limite da depressão. Que já exibem, e não fortuitamente, que palavra.
Serra, bem ao contrário, não consegue definir “o que aconteceu comigo”, confissão que faz a amigos, entre os quais não inclui o ex-presidente FHC. O candidatíssimo Aécio Neves também não considera FHC e Serra grandes e visíveis amigos.
Isso é fácil de explicar e resumir, constatando as caminhadas do ex-governador de Minas, ao assumir publicamente que é candidato a presidente em 2014, sem ter a obsessão ou a necessidade de sair vencedor. Pode ter nova oportunidade em 2018, com 58 anos, idade que terá dentro de oito anos, e que todos já ultrapassaram agora.
Não estou fazendo divagações e sim analisando os fatos, nomes e circunstâncias que estão aí. Aécio foi a São Paulo, almoçou com FHC, conversou (no palácio) longamente com Alckmin, não procurou nem deu um simples telefonema para José Serra. Esquecimento? Descuido? Poderia mandar para Serra um simples “correio eletrônico” (detesto e-mail), que não precisa nem exige resposta, a não ser também dessa forma impessoal.
Depois, Aécio foi a Brasília, e com quem esteve longamente? Com o senador (vitorioso) Agripino Maia, líder do DEM. E já escolhido presidente do partido, contra a EXTINÇÃO desse DEM. E não foi por acaso que Aécio FORTALECEU a posição dos que querem manter o DEM, e não destruí-lo.
(Como fez o prefeito Kassab, que se aproveitou do DEM (para obter a legenda), do PSDB de Serra (para vencer), e agora trabalha para abandonar tudo e todos e se mudar para o PMDB. (Por isso, o prefeito de São Paulo esperava a visita de Aécio, ficou no mesmo vazio de José Serra).
 ***
PS – Puxa, Nossa Senhora, tanta coisa vai acontecer e já está acontecendo, esta é apenas “uma visitação” aos fatos.
PS2 – Mas haja o que houver, Aécio está respondendo ao discurso de Serra depois da derrota para Dilma.
PS3 – Aécio está deixando bem claro para Serra: “No que depender de mim e do PSDB, você não está dando adeus nem até logo. Sua saída da vida pública aconteceu sem DESPEDIDA e sem SAUDADE.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A vingança de Henrique Meirelles


Demitido, desprezado, abandonado, sem ser lembrado para nada, Meirelles arruína o progresso do Brasil. Corta o DINHEIRO do CONSUMO, a forma mais correta do DESENVOLVIMENTO. Quem autorizou?

Helio Fernandes
O Brasil está cada vez mais surrealista. Além do ministério Dilma estar sendo negociado e indicado por Lula, quase todos estão resistindo nos cargos, a maioria vai sendo mantida. E além de mantidos, tomam livremente medidas que afetarão o presente e o futuro do país.
È o caso do “feemiista” Henrique Meirelles, ainda e por poucos dias, presidente do Banco Central. Como se sabe, pretendia permanecer, tentou intimidar e “seqüestrar” a vontade da presidente eleita.
Analisou mal, ela ficou revoltada, imediatamente dispensou-o. Mas essa “dispensa-demissão”, só vale a partir de 1º de janeiro de 2011. Devia ter sidoEXONERADO A PEDIDO, no mesmo dia em que revelou a ameaça a Dona Dilma.
Sem consultar ninguém, na contramão da economia do desenvolvimento, sem autorização de Lula ou de Dilma, apenas por vingança e naturalmente para servir os interesses de sempre, colossais, D-E-C-I-D-I-U.
E além de todos os inconvenientes e de contrariar decisões inteiramente diferentes de países muito mais importantes e sensatos (como os EUA). Meirelles anunciou sua providência, desta forma; “Temos que reprimir e diminuir o consumo. Se o DINHEIRO continuar circulando, se o crédito continuar FÁCIL eBARATO, o consumo aumentará muito, imediatamente teremos o “AUMENTO DA INFLAÇÃO”.
Determinou a retirada da circulação de 61 BILHÕES de reais. Isso já vale a partir de ontem. Sem dúvida que a EXPLICAÇÃO dada ou pretendida pelo presidente do BC, será atingida, o CONSUMO diminuirá. Mas e o D-E-S-E-N-V-O-L-V-I-M-E-N-T-O? Sabendo-se que seu superior hierárquico, (mantido no cargo) Guido Mantega, é “acusado” precisamente de “desenvolvimentista”, o imprescindível seria consultá-lo.
Circulam nos meios econômicos e principalmente em Brasília, várias versões ou rumores, vá lá, a respeito do ataque de Meirelles ao CONSUMO.
1 – Serviria ao FMI, Meirelles precisa muito do órgão para projetar e balizar seu futuro.
2 – Mostraria e demonstraria que ainda tem muito Poder de fogo. É bem capaz de tomar medidas no dia 28 de dezembro para serem publicadas no Diário Oficial de 29 ou 30.
3 – Atingiria Guido Mantega, até pessoalmente. No início de Mantega na Fazenda, divergiam. Depois, “romperam, brigaram para valer, não se falavam nem em público”. Os fatos se agravaram quando Mantega foi MANTIDO e ele,DEMITIDO.
4 – E finalmente visava o novo presidente do BC, Alexandre Tombini. Ex-subordinado e seguidor, que aceitou “seu cargo” sem sequer consultá-lo.
5 – Como sabia que Tombini preparava AUMENTO DOS JUROS, tomou essa decisão para cerceá-lo, refreá-lo, contrariá-lo. (Assim que foi indicado presidente do BC, escrevi aqui, com exclusividade: “Os juros ficarão maiores a partir de janeiro ou fevereiro. É uma “tombinada” de um economistaAUMENTISTA ou ALTISTA”. (Sem jogo duplo de palavras).
Só para lembrar: mais um menos 1 mês antes, para ESTIMULAR O CONSUMO, o presidente Obama colocou 600 BILHÕES DE DÓLARES NA CIRCULAÇÃO. Praticamente 1 TRILHÃO DE REAIS.
Como não produziu totalmente o efeito esperado, o consumo aumentou pouco, Obama anunciou: “Estamos estudando a possibilidade de aumentar o estímulo deDÓLARES na circulação”.
***
PS – Meirelles RETIROU 61 BILHÕES de reais, Obama AUMENTOU 1 TRILHÃO(já convertido em real), ou seja, 15 vezes mais, com a agravante. Na Matriz, mais dinheiro para CONSUMO. Na Filial, menos dinheiro para o mesmoCONSUMO.
PS2 – Em relação à inflação, antes de Obama (e com ele), quando SENTIAM queAMEAÇAVA, baixavam, os juros. Aqui todos conhecem o REMÉDIO que mata:JUROS de 10,75%.
PS3 – Jornalões desinformados, dizem: “Tombini e Mantega foram consultados”. Ha!Ha!Ha! Meirelles não é de consultar ninguém. Mesmo nos quatro primeiros anos, mandava mais do que Palocci. Com este demitido, desprezível e desairosamente, que palavra, ficou absoluto.
PS4 – Nem tomou conhecimento do “substituto”, o próprio Mantega. E se tivessem sido ouvidos, e se APROVASSEM, insensatez completa.
PS5 – É bem verdade que Meirelles teve o cuidado de RESSALTARREGISTRAR eRESSALVAR: “Os bancos repassarão o aumento dos seus custos para oCONSUMIDOR”. Isso já a partir de ontem.
PS6 – Se alguém imaginava que os bancos seriam prejudicados com o aumento do COMPULSÓRIO, não sabe de nada. Meirelles não pode ser presidente daFEBRABAN, não preside banco. Mas pode ser executivo de qualquer um. Mais possibilidades para Itaú, Bradesco e Santander, se quiser ficar no Brasil.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A verdade sobre os fatos


A operação Alemão-quase-Stalingrado, ainda será notícia por muito tempo. O Exército e os Fuzileiros com equipamentos da Marinha, ficarão todo 2011, sem eles nada teria sido feito. Precisam prender os 4 chefões bandidões: FB (Fabiano), Polegar, Nem e Pezão.

Helio Fernandes
No sábado, 27, euforia total. Militares, moradores, cidadãos desses antros, e toda a população do Rio-capital, do Estado do Rio e do Brasil, dominados pela satisfação que jamais conheceram: no domingo, dia seguinte, os traficantes seriam presos, não escaparia ninguém.
Depois daquela altamente satisfatória corrida da quinta-feira, quando centenas de traficantes fugiram de centenas de policiais locais e tropas federais, ninguém tinha a menor dúvida: os moradores  retomariam suas casas, voltariam, viveriam como nunca, entrando e saindo de casa como qualquer cidadão.
No sábado, às 8 da noite, um coronel do Exército e um delegado federal anunciavam: “Demos ultimatum aos traficantes para se entregarem até meia-noite. Se isso não acontecer, INVADIREMOS IMEDIATAMENTE, todos serão presos”.
Um estrategista que conhece mesmo as coisas, me disse: “A operação invasão não será feita à noite, embora todos tenham recebido óculos especiais para a noite”. Como conhece mesmo, debaixo de tensa e angustiante expectativa, no domingo às 8 da manhã, I-N-V-A-D-I-R-A-M o sempre chamado Complexo do Alemão.
Depois de tanta expectativa, a mais frustrante e decepcionante realidade: não conseguiram nada, não prenderam ninguém. Se não fosse “a fantasia, o delírio, a idolatria e o exibicionismo da TV Globo”, a derrota (ou a não vitória) teria tido repercussão ainda mais desesperadora, teria dominado tudo.
O que aconteceu para que nem 1 por cento das PROMESSAS militares e civis se cumprisse? É que dali, NINGUÉM, mas NINGUÉM mesmo, jamais subirá o Complexo do Alemão. Não tinham a menor ideia do que encontrariam. Os policiais locais, há anos ficaram trocando com os bandidos, só chegavam até aquele limite mostrado na quinta-feira. Policiais desorganizados, sem plano, nada parecido com aquele ridículo da manchete do Globo: “É O DIA D”. Comparando com a INVASÃO comandada pelo general Eisenhower.
As tropas do Exército e da Marinha, que foram importantíssimas, nem sabiam onde ficava o chamado Complexo do Alemão. Não tinham a menor ideia do que encontrariam, ninguém explicou: podem chegar até a metade da subida, depois, só a pé, sem equipamento pesado.
Tendo chegado aos obstáculos, constataram, perplexos, tinham que enfrentar a adversidade do território, e as armadilhas colocadas pelos bandidões-traficantes-senhores-dos-morros. Ultrapassados os entraves, naturais ou fabricados, a surpresa geral: NÃO HAVIA NENHUM TRAFICANTE, NEM CHEFÃO NEM CHEFINHO, O QUE FAZER?
Então, os porta-vozes começaram a “blefar” e a “chutar”, “apreendemos fuzis, cocaína, maconha, tudo em grande quantidade”, mas sem números que pudessem obter comprovação. E isso consumiu o domingo, a segunda e a terça, ontem, sem nada da importante. Na segunda à noite, o governo federal anunciou: “O Exército ficará combatendo os traficantes e não só no Alemão, pelo menos até junho ou julho de 2011”.
Pois ontem, terça-feira, às 9 da manhã, cabralzinho deu entrevista à TV Globo, dizendo textualmente: “Vou pedir ao presidente Lula para manter aqui no Rio as tropas federais, do Exército e Marinha”.
É o máximo em matéria de desinformação  e exibicionismo. O que “pedia” a Lula já estava nas ruas, todos já sabiam. As manchetes das Primeiras do Globo, da Folha e do Correio Braziliense, eram praticamente sobre isso. Anunciavam a decisão do presidente, sem o conhecimento de cabralzinho, como fui o único a revelar.
Já que falamos em entrevista, mostremos o que o secretário Beltrame disse com exclusividade para a TV Record, exibida no domingo e reproduzida na segunda-feira. Essa entrevista confirma inteiramente o que eu disse antes: quando recebeu de cabralzinho a notícia de que o comando de toda a operação seria do Exército e Marinha, respondeu: “Não temos nada que ceder o comando para gente de fora”. “Gente de fora” era o Exército.
Textual na entrevista de Beltrame, exibida e repetida pela Record: “CHEGA de pirotecnia, CHEGA de hipocrisia, CHEGA de varrer sujeira para baixo do tapete”. A quem o secretário de Segurança se dirigia. Só podia ser a cabralzinho. Certo ou errado, Beltrame CONDENAVA O ENFRENTAMENTO.
De qualquer maneira, Beltrame fez “história”. Condenando oENFRENTAMENTOENFRENTOU o governador. Na história do Rio (pelo menos), é o primeiro secretário a DENUNCIAR o governador que o nomeou. Beltrame sabia e continua sabendo: “Cabralzinho está tão desgastado, desmoralizado, humilhado e desprestigiado, que não tem cacife para demiti-lo”.
A TV Globo, desesperadamente tenta prolongar o fato jornalístico, usando e utilizando todos os mais variados canais. (Até o Rural foi mobilizado). Mas a audiência de até segunda-feira foi embora. Principalmente por que quase tudo é repetição. Com todos os formidáveis recursos de que dispõem, porque não denunciam e desalojam os chefões-traficantes?  Não interessa?
Dos grandes, quatro ainda estão soltos e tranquilos. Existem mais de 200 “chefinhos e subchefes”, sem a importância desses QUATRO GRANDES. Vejamos:
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PS – Fabiano Altanário, conhecido como Fabio e na intimidade como FB. É o mais agressivo de todos, foi quem derrubou o helicóptero da Polícia Militar, aINVASÃO devia ter começado ali, Cabralzinho foi contra.
PS2 – Polegar, dono da casa que serviu para municiar o noticiário desde domingo. Não mora nessa casa, seu endereço permanente é na Mangueira, que controla, mas suavemente. Não é adepto da violência, Mangueira é menor, mas importante. Revelação não tão sigilosa; Polegar tem um QI alto, teria sucesso em atividade legal. No momento não está na Mangueira, embora se estivesse não seria perturbado nem preso.
PS3 – Nem e Pezão são considerados “livre-atiradores”. Não têm o domínio total dos morros, mas a participação nos resultados é garantida e proveitosa. Pezão tem fortes ligações com taxistas, principalmente os que exercem a profissão ilegalmente, atacando e intimidando profissionais de verdade.
PS4 – Não consegui maiores informações sobre o Nem, ou melhor, o que me diziam era contraditório.
PS5 – Para as autoridades federai, existe um relatório sobre cabralzinho, não escrito, mas longe de estar sigiloso. Não é longo, tem apenas duas ou três frases, não obtive cópia, tive que guardar na memória,
PS6 – É assim: “O governador do Estado do Rio, que há 3 anos recusou a participação das tropas federais no combate ao TERROR dos traficantes, agora teve que cumprir ordens. Perdeu autoridade, a independência, ficou com a parte menor do Poder”.
PS7 – Como gozação, o informante encerrou: “O governador é agora uma espécie de Rainha da Inglaterra”. Como era o fim, perguntei: “Isso é promoção?” Riu e se despediu.