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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Do "affair" Palocci. Ainda


Ministro da Casa Civil fazendo negócios com impunidade? E a consequente imunidade? E por que a insuperável transparência é suplantada pela confidencialidade? Tanta interrogação, nenhuma confissão?

Helio Fernandes
No título destas notas, não quis colocar outra palavra, a mais comentada, a que resguarda tudo: blindagem. Por que tanta gente para blindar um simples ministro? E por que a própria presidente da República, que é a responsável, a guardiã, a que tem que preservar o que se identifica como dignidade, responsabilidade, credibilidade, abandona a própria segurança política, para “blindar” um executivo que NÃO CONSEGUE explicar coisa alguma?
Por que um ex-ministro da Fazenda todo poderoso, foi demitido sem qualquer explicação? Nem para ele, companheiros do partido ou a opinião pública? Demitir um ministro com a força, a arrogância e a imunidade de Palocci, sem dizer nada, só se naquela época ele já fazia “o que os outros também faziam”.
Lula e Palocci sabem a razão da demissão. Dona Dilma, que ocupava o cargo de Palocci, não tenho certeza. Dou a ela o benefício da dúvida, por falta de convicção. Mas uma coisa eu sei a vida inteira: nas redações e nos palácios presidenciais estão as maiores fontes de informação.
Lacerda e Golbery foram amicíssimos, intimíssimos, ligadíssimos. Brigaram. Ficaram se odiando. Golbery era Chefe do SNI. Os jornais vespertinos não circulavam aos domingos, os matutinos às segundas-feiras. Lacerda fulminou, Golbery nunca perdoou: “No fim de semana, o Chefe do SNI não tem informação, os jornais não funcionam”.
As redações são inundadas de notícias, muitas vezes não publicadas por falta da autonomia dos jornalistas, por falta de vontade dos proprietários. Depois da morte de Chateaubriand, me fartei de afirmar: “Sou o único dono de jornal que sabe escrever e escreve diariamente”.
Agora no Planalto a coisa mais pródiga (fora o patrimônio aumentado e o enriquecimento ilícito) é a notícia. Só que muita gente não ouve ou não vê, vá lá, finge que não vê. Num discurso que parou o país, o deputado Roberto Jefferson afirmou: “Contei ao presidente Lula todo o esquema do mensalão”. E concluiu: “Alertei o presidente, lealmente, o senhor deve tomar providencias imediatamente, ou será levado pela enxurrada”.
Lula descuidou, desconheceu ou desprezou a tradição da boa informação do palácio (no caso, o Planalto), disse simplesmente: “Eu não sabia de nada”. Ninguém acreditou, mas não aconteceu nada ao presidente, que ganhou o segundo mandato e ainda queria o terceiro,
Lula pretendia o terceiro, só não conseguiu por ser realmente impossível. Até acabou sendo bom para Lula. Com o terceiro mandato, ficaria equiparado a FHC, Menem e Fujimori, os dois últimos, presos. (Menem solto, Fujimori condenado a 25 anos de prisão).
Quanto à posição de Palocci, é insustentável. Acho que a palavra “blindagem”, sozinha, não sustentará o ministro. E pode até atingir a integridade física, política, eleitoral e administrativa da presidente Dilma.
Quanto e até quando ela vai arriscar tudo o que conquistou? Não nos esquecemos: Palocci exigiu que o caseiro Francenildo explicasse os 24 mil e 500 reais, que foram depositados na sua conta. E fartamente provado e comprovado, um ativo do pai. Que Palocci dizia, “ele recebeu de suborno para me denunciar”.
Agora, o ministro Palocci se recusa a explicar como, quando, de onde e de quem recebeu 8 milhões de reais. Para fugir da transparência, diz”tenho contrato de confidencialidade com meus clientes”. Quer dizer, confessa, só não pode explicar ou divulgar nomes.
E qual é o idiota que vai acreditar que alguém que ganhou 8 milhões, EMPREGUE ou faça INVESTIMENTO de todos os 8 milhões em imóveis? É evidente que tem muito mais, mas muito mesmo, escondido por trás da “transparência”.
E como montou o apartamento de 6 milhões e 600 mil reais? Quanto é o pagamento do IPTU? E quantos empregados precisa manter? Como esse “investimento”, além de desonesto, Palocci passa por burro.
*** 
PS – A presidente Dilma era aguardada como presidente, no plano do desenvolvimento econômico. Ninguém esperava que tivesse que manter ou não manter o homem mais poderoso do seu governo, pela prática de irregularidades.
PS2 – Mas também, o que esperar de um homem como Palocci, que acertou a Megasena acumulada, duas vezes.
PS3 – Dona Dilma é que corre o risco de transformar um bilhete premiado numa loteria sem qualquer futuro?

domingo, 22 de maio de 2011

Fernando Haddad, ministro da deseducação brasileira



Pedro do Coutto
Não há a menor possibilidade de explicar, em termos lógicos, a omissão do ministro Fernando Haddad quanto à edição, por uma ONG chamada Ação Educativa, Editora Global, de um livro (que deveria ser didático) contendo erros crassos de concordância, impropriedades, absurdos de linguagem, exemplos contrários a todos os princípios básicos de uma tarefa extraordinária chamada Educação. Aprovando semelhante ato catastrófico, o ministro Fernando Haddad, que por sua vontade a presidente Dilma Roussef não o teria mantido no MEC, transformou-se, isso sim, no titular da deseducação brasileira. Inconcebível o que aconteceu.
A obra, plena de erros, já foi distribuída a 485 mil jovens do ensino fundamental e médio do país. Haddad nada diz, nem ao menos determina o recolhimento da cartilha que promove, não a cultura popular, como defendeu a autora da tempestade, professora Heloisa Ramos, mas simplesmente a ignorância.
Excelente, sem dúvida, a reportagem de O Globo de terça-feira 17 sobre o tema, assinada por Adauri Antunes Barbosa e Demétrio Weber. No contexto da matéria, ótima a entrevista do presidente da ABL, Marcos Vilaça, à repórter Dandara Tinoco. Impossível mesclar-se a linguagem oral, real porém errada, ao texto escrito, cujo objetivo, como seu nome indica, é ser didático.
Acentua bem Elena, minha mulher, que concordar com tal prática retira do MEC a faculdade de reprovar alunos por erros de português em sua rede de ensino no país. Pois como não aceitar um texto com digamos, a expressão nós vai, se a bússola do Ministério da Educação aponta nesta mesma direção? Será uma contradição absoluta: a de incentivar o erro e sua aceitação como algo normal, e rejeitá-lo numa prova.
O exemplo é extremamente negativo ao país. É um crime político o  de estimular o desconhecimento e o mergulho da juventude no universo verbal usado nas portas dos botequins. Isso, no fundo, significa incentivar o analfabetismo, ao invés de combatê-lo. O analfabetismo, não se iludam os leitores, permanece muito alto em nosso país.
Não são apenas os 12% a que se refere o IBGE em seu último censo. O índice é muito maior. O Mobral foi um mito dos governos militares cujo ciclo se encerrou em março de 85. Na realidade, ele nunca existiu. Só se tornou aparentemente visível pelo fato de ter sido presidido por Mario Henrique Simonsen, até o momento em que nomeado ministro da Fazenda pelo general Ernesto Geisel.
A alfabetização – como definia meu amigo Antonio Houaiss – não é apenas saber assinar o nome e ler a sua própria assinatura e a assinatura dos outros. Não. É saber escrever um simples bilhete e compreender o que está escrito em outro texto curto, digamos apenas um recado. Houaiss nunca apoiou escrever-se uma concordância errada. Não considerava propriamente um desacerto, isso sim, trocar-se o pronome oblíquo lhe em vez de lo. Também não o uso da crase. E citava um exemplo, muito comum nos vidros de bares: bebida só à dinheiro. Não se craseia antes de palavra masculina. Porém, no caso, qualquer pessoa entende o que a frase quer dizer.
Ao me referir ao Mobral que desapareceu no tempo (cheguei a trabalhar lá), me inspirei em título do filme O Homem Que Nunca Existiu. Era uma trama de espionagem na Inglaterra durante a segunda guerra. O espião nazista foi identificado. Mas não poderia ser preso, pois no caso tal fato exporia para o inimigo a rede de contraespionagem. Então para a Scotland Yard, tornou-se o homem que nunca existiu.
O ministro Fernando Haddad parece não existir à frente do MEC.

Escrever, falar e pensar



LÍNGUA & LINGUAGEM

Por Alberto Dines em 20/5/2011
Comentário para o programa radiofônico do OI, 20/5/2011
Escrever bem é pensar bem. Quem tirou este ditado do esquecimento foi, aparentemente, o grande jornalista e exímio prosador mineiro Otto Lara Resende. Erro de concordância, além de doer nos ouvidos, atravanca o pensamento, trava a comunicação. Cria ruídos, comunica erradamente.
É bem-vinda e salutar a polêmica sobre a correção da linguagem motivada pelo livro didático Por uma vida melhor, do Ministério da Educação, que sugere uma indulgência com os erros de gramática. Este contencioso é um dos melhores serviços que a imprensa pode prestar à sociedade.
Mas se a imprensa está efetivamente empenhada em levar adiante a pendência conviria que examinasse o seu próprio desempenho como ferramenta para a divulgação das normas cultas.
Missão da mídia
Não podemos deixar de reconhecer que a mídia impressa escreve mal, nosso rádio e nossa TV expressam-se pior ainda. São muitas as exceções, mas também muitas são as comprovações da regra.
Nossos blogs repousam nos impropérios e o Twitter – como sentenciou o escritor e prêmio Nobel de Literatura José Saramago (1922-2010) – está próximo dos grunhidos. Acontece que estes grunhidos muito em breve poderão constituir um jargão. Este é o perigo, porque o jargão é uma "linguagem viciada, disparatada", segundo o dicionarista Antonio Houaiss (1915-1999).
O jargão, na verdade, é uma sublíngua que pode até ser reabilitada e requalificada, mas isso leva séculos. A reversão só acontecerá quando esse jargão for capaz de produzir uma literatura e expressar idéias abstratas.
Cabe à mídia, tanto impressa como falada, evitar que o idioma se transforme em jargão. Ela – e não o governo – será a sua primeira vítima.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Uma obscenidade criminosa.


19/05/2011
 às 21:54 \ Direto ao Ponto

Só a identificação dos clientes poderá esclarecer se Palocci enriqueceu como consultor ou traficante de influênciaPOR AUGUSTO NUNES

Lula disse durante oito anos e Dilma Rousseff repete há quatro meses que, desde 1° de janeiro de 2003, o Brasil é governado por gente que só pensa em resolver os problemas dos pobres. Desde que não atrapalhem a vida dos ricos de estimação criando problemas que o governo é obrigado a resolver, confirma a entrevista de Francenildo Costa ao site de VEJA. O apego à verdade custou ao caseiro da República de Ribeirão Preto o estupro do sigilo bancário, um interrogatório na Polícia Federal, a acusação de ter recebido de partidos de oposição os R$ 30 mil depositados pelo pai  e a perda do emprego. A opção pela mentira tornou ainda melhor a boa vida de Antonio Palocci.
Aconselhado a afastar-se do Ministério da Fazenda depois da violação da conta de Francenildo na Caixa Econômica Federal, jamais confessou que foi o mandante do crime. Apesar disso, ou por isso mesmo, elegeu-se deputado federal em outubro do mesmo ano, reforçou as ligações com o Planalto, caiu nas graças de Dilma Rousseff durante a campanha e voltou ao coração do poder como chefe da Casa Civil. Entre 2006 e 2010, soube-se agora, encontrou tempo para multiplicar por 20 o patrimônio. O médico sanitarista que nunca clinicou virou consultor financeiro sem diploma de economista. E ficou rico.
O destino só foi inclemente com a vítima. Por ter confirmado que Palocci frequentava regularmente a mansão que jurou não conhecer, Francenildo nunca mais conseguiu emprego fixo. Continua pobre.  Sobrevive com trabalhos temporários, que lhe rendem mensalmente pouco mais de R$ 1 mil, e segue à espera da indenização que a Caixa tenta não pagar, fixada pela Justiça em R$ 500 mil. Só o apartamento novo de Palocci, comprado por R$ 6,6 milhões, vale 13 vezes mais que isso.
Francenildo parece menos intrigado com o preço do imóvel do que com o estridente silêncio do ministro. Cinco anos depois do estupro da conta do caseiro, Palocci invoca a cláusula de confidencialidade inserida nos contratos para manter em sigilo a lista dos clientes que o transformaram num dos mais prósperos consultores do país. “Por que ele não explicou de onde veio o dinheiro? Na minha época eu tive de explicar”, lembra o antigo caseiro da mansão em que Palocci descansava dos serviços prestados à nação.
Com a naturalidade dos que não têm culpa no cartório, Francenildo deduz que isso é coisa de culpado. “O cara que não diz de onde veio o dinheiro é porque o dinheiro é suspeito”, resume. Se não tivesse nada a esconder, raciocina, bastaria a Palocci revelar os nomes dos clientes. Ao escondê-los, reforça a versão segundo a qual quase todos os fregueses tiveram ou têm pendências a resolver com o governo de que Palocci sempre fez parte, com ou sem gabinete no Planalto. Para localizar o caminho das pedras, contrataram não o consultor financeiro que o ex-ministro nunca foi, mas o político que sempre será.
A carta endereçada aos congressistas que o infiltrou na seleção de craques do mercado financeiro foi outra má ideia. “Persio Arida, André Lara Rezende, Pedro Malan e Mailson da Nóbrega têm atividade privada de conhecimento público, Palocci manteve atividade secreta no exercício da função pública”, replicou o deputado baiano Jutahy Magalhães. Nenhum deles foi deputado nem se interessou pela carreira política, poderia ter acrescentado o parlamentar tucano. Já eram economistas respeitados antes da passagem pelo poder. E, por serem identificados com a oposição, não têm a chave das portas secretas que Palocci carrega há mais de oito anos.
Nesta quarta-feira, em seu blog, o ex-governador Alberto Goldman pôs o dedo na ferida que a oposição oficial finge não enxergar: “Palocci não apenas usou de seus conhecimentos adquiridos, o que seria legal e moralmente aceitável, mas usou de sua influência sobre um governo que, mesmo fora dele, ainda em grande parte comandava”, constatou Goldman.
O que Palocci fez é muito parecido com o que faz José Dirceu. Se não divulgar a lista de clientes, o chefe da Casa Civil estará confessando que enriqueceu não como consultor, mas como traficante de influência. Isso é mais que uma ilegalidade. É uma obscenidade criminosa.

Falso moralismo no Facebbok

Facebook fecha conta do crítico André Setaro






André Setaro é crítico de Cinema e professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. Mantém um Blog sobre Cinema e até esta semana tinha também uma página no Facebook.
Tinha.
Sua conta foi cassada  por denúncias de "pornografia e indecência".
Razão do fechamento: Setaro foi "reincidente" em postar fotos de nudez. No caso, da nudez de Brigitte Bardot.A

Não sei o que lamentar mais, se o moralismo piegas ou a ignorância absoluta.
Talvez o melhor seja recomendar que os "agentes da Moralidade" do Facebook comecem pelo Dicionário Aurélio, verbete Pornografia:
1.Tratado acerca da prostituição.
2.Figura(s), fotografia(s), filme(s), espetáculo(s), obra literária ou de arte, etc., relativos a, ou que tratam de coisas ou assuntos obscenos ou licenciosos, capazes de motivar ou explorar o lado sexual do indivíduo.
3.Devassidão, libidinagem.
Uma postagem com as fotos da Bardot nua encontra enquadramento aí?

Talvez, para quem viva no Cinturão Bíblico dos Estados Unidos e se masturbe às escondidas no banheiro usando como incentivo a proibidíssima revista Playboy....
Pois é. Nada como uma boa Censura para garantir altos Padrões de Moralidade. Já diziam, Hitler, Franco, Salazar, Costa e Silva, etc, etc, etc....

Fonte: Blog do GJOL


Paulo Francis por Millor Fernandes


"Dá-lhe, sweet prince!"

"Jornal do Brasil", 3 de Fevereiro de 1997. Primeira Página.

Imponente. À proporção em que a vida avançava, Francis, fraco e delicado como era, ia sendo assumido por ela e pelas circunstâncias, fingindo sempre o contrário, enfunando o peito, olhando de cima, impostando arrogância. Nos últimos 10 anos tinha crescido uns 10 centímetros. Eu olhava e dizia: "Quem não te conhece é que te compra", pois não apenas no fundo, freudianamente, mas logo abaixo da superfície, era uma alma carente, comprável por um afago verdadeiro, tipo, creiam... familiar. Quem leu sua semibiografia verá isso presente na figura de Irene. Irene, a mãe. A falta angustiada da proteção essencial. A eterna busca. A perda irredimível. Tudo, claro, dolorosamente camuflado.
O sucesso foi uma substituição insuficiente para essa sua ânsia, jamais revelada, revelo-a eu agora, esperando com isso iluminar de modo mais belo essa personalidade que de público cortejou sempre o gosto de chatear, criar adversários, até mesmo alimentar ódios, ser insuportavelmente odioso. Diante de alguns de seus acessos - comigo jamais demasiados - eu zombava, parodiando, comicamente, o Horácio final do Hamlet: "Dá-lhe, sweet prince!"


Fallstafiano na forma e no conteúdo, ampliava o que sabia, o que lia, o que via, enquanto o tempo, esse marcador de vidas do qual ninguém escapa, nos mostrava que não era suficiente para que lesse tantos livros, visse tantos filmes, fosse a tantas exposições, escrevesse tanto. Mas quando, no calor de uma conversa, surgia qualquer assunto, o último livro, a última polêmica internacional, a última exposição no Moma, as contas que fazíamos de seus exageros morria. Ele expelia nomes e conceitos, citava autores e fofocas políticas, com justeza e propriedade, sem possibilidade de consulta, ao sabor do momento. Calava-nos. Calávamos.

E zombávamos também, os amigos, por trás ou pela frente, dos seus erros de observação, factuais ou de avaliação. Mas ele assumia o exagero, dava como desprezíveis as próprias incongruências, assim como assumia o grotesco na televisão, chutando as canelas dos "rivais", e cantando com voz roufenha e razoavelmente desafinada o Summertime ou, quem não viu não verá mais, a chiquita bacana lá da Martinica. E foi assim que criou um tipo, que ocasionalmente passou a imitar, antes que outros cômicos o fizessem.

De uma pessoa de tanto sucesso e tão disposta a atacar, justa ou injustamente, tabus nacionalistas, feministas, literários e quetais, com a capacidade intelectual amedrontadora que ele tinha, é muito brasileiro - será só brasileiro? - duvidar da masculinidade. Francis não escapou dessa. Mas eu conheci, estou contando nos dedos, mais de uma mão de mulheres belas e intelectualmente respeitáveis - combinação não muito comum, não sei se sabem - com quem ele se envolveu de maneira intensa e algumas vezes dramática.

Falando apenas do sucesso, sem discuti-lo, não conheço outro jornalista que tenha tido o que ele teve. Foi sempre visível, desde o tempo de suas impiedosas críticas teatrais, passando pelo Pasquim, Folha de São Paulo, O Globo, Tevê Globo e nesta, ultimamente, fazendo o que ele sabia fazer como ninguém - entrevistar personalidades famosas. Em inglês. Tudo a bom preço, que fazia questão de ostentar, materializando, nos grandes hotéis do mundo, na primeira classe dos aviões, nos carros com motorista, no seu ato existencial de todo dia, o "Sorry Periferia", do outrora Ibrahim.

Tinha, na sua profissão, chegado ao máximo, como repercussão, como compensação, como satisfação. Não podia ir mais longe. "Good night, sweet prince."


quarta-feira, 18 de maio de 2011

O polêmico livro de Juanita Castro


O livro de Juanita Castro, contra os dois irmãos inimigos, provoca comentários sobre atos e nomeações de João Goulart. Estranhas, espúrias, estabanadas, acabaram por derrubá-lo.

Helio Fernandes
A irmã de Fidel e Raul Castro publicou finalmente sua biografia, tão esperada. Pedro do Coutto (não fugindo do habitual), fez admirável artigo sobre as confissões dela. Fui me lembrando de João Goulart, seus erros constantes, principalmente nas escolhas dos principais auxiliares.
Ela praticamente não cita nem fala do ex-presidente, mas os fatos levam naturalmente à analise histórica de como agia, não digo primariamente, mas é impossível fugir dessa constatação. Não vou relacionar os erros na ordem cronológica, pois Jango cometeu o primeiro deles em 1952, mas tenho que começar em 1961/62, nomeação com total desinformação.
A autora confessa que é da CIA, e que foi cooptada (textual) pela então embaixatriz do Brasil em Cuba, Virginia (Nininha) Leitão da Cunha. Esta lhe telefonou e disse, “precisamos conversar, mas não aqui em Cuba, como sou da CIA, seria difícil”.
Marcaram então encontro no México, se instalaram no Hotel “Caminho Real”, magnífico 5 estrelas, quem pagou foi o representante da CIA, que foi se encontrar com elas. E depois foi para os EUA com Juanita, onde tudo foi devidamente acertado e assentado.
A embaixatriz voltou para Cuba, onde durante 12 dias foi recepcionista de Jânio, Fidel e Che Guevara, que não saiam da sua casa. Eram recebidos pela embaixatriz, que mandava relatórios diários para a CIA, à qual pertencia. Aqui a pergunta obrigatória: “O embaixador não sabia de nada? Sua mulher pertencia à CIA, ele não tomava conhecimento nem dos relatórios e da forma como eram enviados?
Isso se tornou ainda mais assombroso quando Jango nomeou o próprio Vasco Leitão da Cunha para embaixador na União Soviética. O segundo posto mais importante do país, ocupado pelo marido da “espiã que saiu do frio”.
Ninguém para informá-lo, aconselhá-lo (e o Itamaraty?), para mostrar quem era ideologicamente Vasco Leitão da Cunha? E veio logo a constatação e a comprovação, provavelmente como recompensa pelos relatórios da mulher.
Assim que se concretizou o golpe de 64, Leitão da Cunha viajou de Moscou, desembarcou diretamente como Ministro do Exterior. Só que já estava aqui, no interior. Lógico, com a mulher, que continuava “membra” da CIA.
Em relação ao EUA, Jango cometeu o mesmo e inacreditável equivoco. Nomeou embaixador lá o senhor Roberto Campos, que era o mais notório serviçal daquele país. Mesmo os mais diletos amigos de Jânio não entenderam essa indicação.
Roberto Campos era o Vasco Leitão da Cunha da vez. Só que Campos sabia de tudo, de lá foi um grande “colaborador” do golpe. Recebia (e respondia) relatórios do Embaixador Lincoln Gordon. E do general Vernon Walters, “espião competente”, que fizera amizade com muitos desses militares do golpe, que serviram na FEB.
Roberto Campo lamentou não poder viajar no mesmo dia 1º de abril (data sintomática do golpe), mas seu lugar como primeiro-ministro, garantido e indispensável.
João Goulart foi expulso e escorraçado por aqueles nos quais confiara, numa espantosa demonstração de desinformação. Jango viajou para Singapura por determinação do presidente Jânio, não percebeu que era armadilha? Como saiu errado, Jango “virou”presidente. Mas errou mais do que o permitido.
Como prometi, voltemos ao passado. No final de 1952, Jango era Ministro do Trabalho. Concedeu aumento de 100 por cento no salário mínimo. Golbery articulou e redigiu o que se chamou de “Manifesto dos Coronéis”. Exigiram a saída de Jango do Ministério, a primeira assinatura era de Amaury Kruel. Jango deixou o Ministério (concessão, covardia e omissão).
Dez anos mais tarde, já presidente, quem nomeou Chefe da Casa Militar? O próprio Amaury Kruel, já general, mais tarde promovido a Ministro da Guerra (pelo próprio João Goulart).
Não defendo o odio, a vingança, a hostilidade presente por causa de fatos passados. Mas no momento em que entregava cargos-chaves a inimigos, vetava a ascensão de amigos, como foi o caso do cunhado e acima de qualquer suspeita, Leonel Brizola.
O ex-governador, então o deputado mais votado, procurou o cunhado, com a proposta: “Você me nomeia Ministro da Fazenda, se eu exagerar em qualquer momento, pode me demitir com aval do Ministro Lott”.
Jango pediu tempo, foi se consultar com quem? Com o embaixador dos EUA, Lincoln Gordon, e com o todo poderoso “doutor” Roberto Marinho. Recebeu os dois em seu quarto particular, com o homem da Organização Globo sentado na sua própria cama. (Já contei o fato na época mesmo, agora tem que se lembrado e relembrado).
Os dois disseram ao presidente: “Se você nomear Brizola Ministro da Fazenda, não termina o mandato”. Não nomeou e não terminou. Só que jamais se contou a “motivação” de Jango. Ele queria continuar no Poder, naquela época não havia reeeleição. E Jango sabia que, se Brizola fosse Ministro, obviamente invencível para presidente. E até as pedras da rua (Rui Barbosa) sabiam que Jango não queria deixar o Poder.
Aí vieram as ações insensatas. Mandou mensagem ao Congresso, decretando o “Estado de Sítio”, pretendendo a intervenção no Estado da Guanabara e o fechamento da Tribuna da Imprensa.
Sempre mal informado, acreditava que o jornal ainda fosse de Lacerda. Este vendera a Nascimento Brito (do Jornal do Brasil), pagou uma fortuna ao já governador, que não podia acumular com a atividade jornalística).
Tudo isso insuflou e alimentou a ansia de Poder dos militares, que vendo “todo mundo conspirar”, conspiraram também. Seis governadores queriam o Poder nacional, os militares também se organizaram. E como todos divididos, e eles naquele momento unidos, saíram vitoriosos.
Em 1º de abril era um simples golpe, não pensavam numa ditadura formal, que durasse mais de 20 anos. Durou, favorecida pelo “apoio” dos EUA, pela existência de outras ditaduras. E mais: “A argumentação de que estavam salvando o país da “comunização”.
Os dois comícios (da Central do Brasil e do Automóvel Clube, 13 e 28 de março), só poderiam se realizar, se Jango olhasse para trás e visse o Exercito inteiro aplaudindo-o e apoiando-o. Nada disso aconteceu, 72 horas depois estava derrotado e derrubado.
 ***
PS – O general Chefe da Casa Militar lhe dizia sempre: “Presidente, temos 90 por cento das Forças Armadas”. Atravessando a fronteira com ele, Jango perguntou, amargurado: “Então tínhamos 90 por cento das Forças Armadas”. Não precisava de resposta, estavam indo para o exílio.
PS2 – Não se falaram mais, Brizola e Jango. Lacerda foi a Montevidéu levando o Manifesto para o ex-presidente assinar, afirmou: “Daqui vou encontrar o ex-governador Brizola, para também assinar”. Jango empurrou o papel, disse: “Se esse senhor assinar, em não assinarei. Lacerda me contou, espantado.

domingo, 1 de maio de 2011

O contra-ataque das oposições


O contra-ataque das oposições

Carlos Chagas
A  crônica das guerras recentes ou antigas registra que após uma vitória, o exército vencedor deve esperar o contra-ataque do adversário. Depois de ocuparem um terço do território russo, os alemães cederam ao impacto do Exército Vermelho. Em seguida ao desembarque na Normandia, os aliados foram surpreendidos com a ofensiva nazista nas Ardenas, que quase  devolveu ingleses e americanos  ao mar.
Assim, não é de estranhar que progridam em ritmo bem mais avançado do que a mídia registra  os entendimentos entre PSDB e DEM para uma próxima fusão ou incorporação dos dois partidos. Pode ser  a forma de reação ao que seus dirigentes  chamam de manobra solerte do palácio do Planalto ao estimular Gilberto Kassab e uns tantos trânsfugas da oposição para formar o PSD e aderirem ao governo.
Os obstáculos são grandes, até pouco parecia impossível a hipótese, mas de Fernando Henrique a José Agripino, a proposta do casamento é bem recebida como forma de recompor as combalidas esquadrilhas de tucanos e a infantaria dos democratas. Mais do que visar as eleições municipais do ano que vem, eles se voltam para as eleições de 2014, quando poderiam ampliar o número de governadores e disputar a sucessão presidencial.
*** 
DOAÇÃO DE  250 MIL VOLUMES
Ao longo de sua vida de economista, professor, ministro, embaixador e deputado, hoje  entrando nos oitenta anos de idade, Delfim Netto conseguiu reunir 250 mil  livros. E não apenas de economia e finanças, mas  de  política,  História, filosofia e muita coisa a mais. Quando em Paris, ficou conhecido como o “rei dos sebos”, título que mantém até hoje em São  Paulo. 
Delfim tomou uma decisão:  doar todos os volumes para a USP, em tempo recorde. Esse acervo formidável  ficará  à disposição de estudantes,  de pesquisadores e dele mesmo, sempre que necessitar de alguma consulta. Exemplos como esse são raros, talvez apenas o saudoso dr. Mindlin tenha feito o mesmo.
*** 
CABRAL REPELE A ACUSAÇÃO
Mais do que irritado, o governador Sérgio  Cabral mostra-se decepcionado  com a acusação de haver mandado preparar um golpe contra o senador Aécio Neves através da polícia de trânsito do Rio de Janeiro. Se o ex-governador mineiro foi parado numa blitz às três da madrugada, no Leblon, com a carteira de habilitação vencida, deveu-se o episódio à rotina de um  policiamento digno de louvor, jamais a manobras de perseguição contra adversários políticos.
Até porque, seria inadmissível que o governo fluminense andasse vigiando as andanças de Aécio pela noite carioca. Ou, pior ainda, que ele, governador, estivesse estimulando esse tipo de ação, rotineira apenas nos tempos da ditadura. Quando se encontrarem, num evento qualquer, Cabral demonstrará o apreço que tem  pelo talvez futuro concorrente à sucessão presidencial de 2014…
 ***
PARA ATIRAR EM QUEM?
Brasília foi surpreendida, na tarde de quarta-feira, pela informação de estarem postados no teto do palácio do Planalto três atiradores de elite da Polícia Militar, com sofisticadas espingardas de  visor telescópico e outras invenções. Apontavam para a Praça dos Três Poderes, onde se realizava pequena manifestação de ex-soldados da Aeronáutica pleiteando reintegração na força. Logo surgiram fotografias dos  “rambos” em posição de tiro, felizmente sem que os manifestantes, lá em baixo, se dessem conta do papel de alvos.
Esses exageros  geram o ridículo. Quem teria dado ordem para os soldados se posicionarem como se estivessem na guerra? O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general José Elito? Um de seus auxiliares? Por certo a  presidente Dilma Rousseff não foi informada de tão desastrada proteção.
Certa  vez armas de fogo, inclusive metralhadoras pesadas, foram posicionadas no telhado da sede do governo, mas eram os tempos bicudos da ditadura.  O Serviço de Segurança do presidente Ernesto Geisel aventou  a possibilidade de tropas do ministro demitido do Exército, general Silvio Frota, estarem preparando um assalto ao poder, que acabou não acontecendo. Mas por causa de ex-soldados da Aeronáutica  reivindicando reintegração, não dá para aceitar…