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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Do "affair" Palocci. Ainda


Ministro da Casa Civil fazendo negócios com impunidade? E a consequente imunidade? E por que a insuperável transparência é suplantada pela confidencialidade? Tanta interrogação, nenhuma confissão?

Helio Fernandes
No título destas notas, não quis colocar outra palavra, a mais comentada, a que resguarda tudo: blindagem. Por que tanta gente para blindar um simples ministro? E por que a própria presidente da República, que é a responsável, a guardiã, a que tem que preservar o que se identifica como dignidade, responsabilidade, credibilidade, abandona a própria segurança política, para “blindar” um executivo que NÃO CONSEGUE explicar coisa alguma?
Por que um ex-ministro da Fazenda todo poderoso, foi demitido sem qualquer explicação? Nem para ele, companheiros do partido ou a opinião pública? Demitir um ministro com a força, a arrogância e a imunidade de Palocci, sem dizer nada, só se naquela época ele já fazia “o que os outros também faziam”.
Lula e Palocci sabem a razão da demissão. Dona Dilma, que ocupava o cargo de Palocci, não tenho certeza. Dou a ela o benefício da dúvida, por falta de convicção. Mas uma coisa eu sei a vida inteira: nas redações e nos palácios presidenciais estão as maiores fontes de informação.
Lacerda e Golbery foram amicíssimos, intimíssimos, ligadíssimos. Brigaram. Ficaram se odiando. Golbery era Chefe do SNI. Os jornais vespertinos não circulavam aos domingos, os matutinos às segundas-feiras. Lacerda fulminou, Golbery nunca perdoou: “No fim de semana, o Chefe do SNI não tem informação, os jornais não funcionam”.
As redações são inundadas de notícias, muitas vezes não publicadas por falta da autonomia dos jornalistas, por falta de vontade dos proprietários. Depois da morte de Chateaubriand, me fartei de afirmar: “Sou o único dono de jornal que sabe escrever e escreve diariamente”.
Agora no Planalto a coisa mais pródiga (fora o patrimônio aumentado e o enriquecimento ilícito) é a notícia. Só que muita gente não ouve ou não vê, vá lá, finge que não vê. Num discurso que parou o país, o deputado Roberto Jefferson afirmou: “Contei ao presidente Lula todo o esquema do mensalão”. E concluiu: “Alertei o presidente, lealmente, o senhor deve tomar providencias imediatamente, ou será levado pela enxurrada”.
Lula descuidou, desconheceu ou desprezou a tradição da boa informação do palácio (no caso, o Planalto), disse simplesmente: “Eu não sabia de nada”. Ninguém acreditou, mas não aconteceu nada ao presidente, que ganhou o segundo mandato e ainda queria o terceiro,
Lula pretendia o terceiro, só não conseguiu por ser realmente impossível. Até acabou sendo bom para Lula. Com o terceiro mandato, ficaria equiparado a FHC, Menem e Fujimori, os dois últimos, presos. (Menem solto, Fujimori condenado a 25 anos de prisão).
Quanto à posição de Palocci, é insustentável. Acho que a palavra “blindagem”, sozinha, não sustentará o ministro. E pode até atingir a integridade física, política, eleitoral e administrativa da presidente Dilma.
Quanto e até quando ela vai arriscar tudo o que conquistou? Não nos esquecemos: Palocci exigiu que o caseiro Francenildo explicasse os 24 mil e 500 reais, que foram depositados na sua conta. E fartamente provado e comprovado, um ativo do pai. Que Palocci dizia, “ele recebeu de suborno para me denunciar”.
Agora, o ministro Palocci se recusa a explicar como, quando, de onde e de quem recebeu 8 milhões de reais. Para fugir da transparência, diz”tenho contrato de confidencialidade com meus clientes”. Quer dizer, confessa, só não pode explicar ou divulgar nomes.
E qual é o idiota que vai acreditar que alguém que ganhou 8 milhões, EMPREGUE ou faça INVESTIMENTO de todos os 8 milhões em imóveis? É evidente que tem muito mais, mas muito mesmo, escondido por trás da “transparência”.
E como montou o apartamento de 6 milhões e 600 mil reais? Quanto é o pagamento do IPTU? E quantos empregados precisa manter? Como esse “investimento”, além de desonesto, Palocci passa por burro.
*** 
PS – A presidente Dilma era aguardada como presidente, no plano do desenvolvimento econômico. Ninguém esperava que tivesse que manter ou não manter o homem mais poderoso do seu governo, pela prática de irregularidades.
PS2 – Mas também, o que esperar de um homem como Palocci, que acertou a Megasena acumulada, duas vezes.
PS3 – Dona Dilma é que corre o risco de transformar um bilhete premiado numa loteria sem qualquer futuro?

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