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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Cinema Belas Artes fecha as portas para sempre


Belas Artes 

Mais de uma vez, ao longo das últimas décadas, anunciou-se o fim do Cine Belas Artes. A sala de exibições, uma das mais tradicionais e cultuadas de São Paulo, conseguiu entretanto sobreviver às crises e ameaças, contando ultimamente com o apoio inestimável de patrocinadores e entusiastas.
Recebe-se assim com tristeza, mas não com desesperança, a notícia de que o Belas Artes irá fechar as suas portas em fevereiro. O imóvel foi solicitado pelo seu proprietário. O responsável pela sala, André Sturm, declarou que irá procurar um novo endereço. Seria o menor dos males, quando se considera o pequeno número dos cinemas de rua na cidade -substituídos pelas salas de shopping e por alguns centros multiplex.
Não se repara com isto, entretanto, o que seria talvez a maior perda nesse acontecimento: a memória cultural de gerações que se familiarizaram com as grandes realizações da arte cinematográfica no velho prédio, entre a Paulista e a Consolação.
Repete-se o que aconteceu, em outros tempos, com os frequentadores dos grandes cinemas do centro de São Paulo, nas avenidas São João e Ipiranga; ou com os que, no Rio de Janeiro, sofreram quando o cine Paissandu, que deu nome a uma inteira geração de críticos, cineastas e apreciadores, também fechou.
Misturam-se, em casos desse tipo, questões de patrimônio imaterial, valorização da memória cultural, interesse comercial e, sem dúvida, política urbana.
Entusiasmo, persistência e patrocínio individuais nem sempre são suficientes para enfrentar a contento problemas tão distintos. O acerto entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil é tarefa complexa num caso como esse; exige um grau de entusiasmo, talento, habilidade e coordenação que, sem dúvida, levaria a qualificar-se a administração cultural de uma cidade como uma modalidade, rara mas não inatingível, das próprias belas artes. Que, aos poucos, São Paulo consiga se aproximar desse ideal.
EDITORIAL DA FOLHA DE SÃO PAULO EM 10 DE JANEIRO DE 2011

2 comentários:

Coluna de Trajano disse...

Caro (André)Setaro,
O (André) Sturm é da turma dos que pensam urbanidade e cultura.
Nós aqui da SALADEARTE tentamos fazer o mesmo e seguimos em busca de articular sociedade, Estado e iniciativa privada.
Para 2010 os desafios serão manter o cine XIV aberto - só está garantido até o final de fevereiro, reabrir o Cinema do MAM - ainda sem apoios, e investir na qualidade no Cinema do Museu. Ufa!
Abraço,
(André)Trajano

Raymundo Luiz Lopes disse...

Oi, André!
Parece que, no momento, temos que gritar/berrar/reclamar/denunciar e não sei mais o quê...!!!
Postei tb um vídeo sobre o fechamento do Belas-Artes no Facebook.
Um abraço.