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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Hélio Fernandes não tem papa na língua


O surpreendente Palocci, que veio de Ribeirão Preto. Acusadíssimo de atos de corrupção, foi Ministro da Fazenda poderoso. Demitido quando “pensava” na Presidência, que vida. NEGATIVA e POSITIVA, até quando?

Helio Fernandes
Sua vida pública, (só a pública?) é cheia de altos e baixos, chamada de negativa e positiva. Não apenas uma vez, mas muitas.
Negativa – Veio de Ribeirão Preto, ex-prefeito, acusadíssimo de atos de corrupção, que depois amenizaram, passaram a ser apenas IRREGULARIDADES.
Positiva – Sem que ninguém acreditasse, foi nomeado Ministro da Fazenda, logo no primeiro dia do governo Lula, 2003.
Ninguém acreditou que fosse verdade. Receberam ordem para “promover” seu nome o mais possível. Recomendação: esquecer especialmente que ele é médico, lembrar que tem grande cultura, “é um dos maiores conhecedores da obra de Marx, embora não seja marxista”. Ha!Ha!Ha!
Positiva – Como Ministro da Fazenda, cresceu tanto, que passou a ser extraordinária sua repercussão. Incensado insensatamente pelo próprio Lula, que chegou a dizer várias vezes: “Fico esperando o Palocci me dar o SINAL VERDEpara pode baixar os juros”. Foi a maior ascensão, que eu me lembre, dos últimos 100 anos.
Negativa – É difícil resistir a isso. Na alucinada escalada do Poder, Palocci não via limites, não impunha conciliação, concordância, cooperação, “a não ser com ele mesmo”. É evidente que esse auge ou apogeu, traz ônus inavaliáveis, que muitos percebem, menos o protagonista ou personagem, o próprio Palocci.
Mais Negativa para Palocci, Positiva para Lula – Delirante de ambição, de Poder, de domínio, o ainda Ministro da Fazenda não olhava para lado algum, só se preocupava com ele mesmo. E numa comparação com FHC, Palocci só olhava para o espelho e na imagem projetada à sua frente. Para ele existia FUTURO, oPASSADO fora esquecido, o PRESENTE era penas a alavanca que o levaria à sucessão do próprio Lula.
Ninguém percebeu os objetivos de Lula, no primeiro período (os 4 anos iniciais). Lula escondeu muito bem o que pretendia. A vítima que abriu o projeto da continuação ilimitada, ininterrupta, inarredável e irrevogável, foi Aloizio Mercadante. Eleito senador, considerava que em 31 de janeiro de 2003, seria empossado senador e logo nomeado Ministro da Fazenda.
Não foi chamado para nada. Esteve na posse de Lula, era obrigatório. Mas ficou no Senado 8 anos, sem uma chance, oportunidade, recompensa, e ainda foi submetido ao desprezo, descaso e depreciação, no episódio da “demissão irrevogável” do cargo de líder do governo no Senado, mas permanecendo na liderança e “ganhando a derrota para governador”, que adiantei muito antes.
Silenciosamente, Lula mostrou toda a sua habilidade política, a capacidade de manobrar com todos, sem mostrar um mínimo de incapacidade. Nesse plano estava incluído José Dirceu, o mais poderoso de todos, tão forte e tão autoritário que, apesar de ser bom analista, não percebeu nada.
Também era o mais íntimo, como revelei há muito tempo, chamava Lula deVOCÊ, o presidente respondia tratando-o de SENHOR. Não era bazófia, e sim a utilização explícita da importância implícita.
Negativa – Voltemos a Palocci. Se andei um pouco no acostamento, tratando de Mercadante e Dirceu, foi para mostrar a desconhecida ou não pressentida trajetória maquiavélica, vá lá, do presidente. Mas a primeira vítima desse projeto de dominar e governar sozinho, teve como primeiro derrubado, Antonio Palocci.
(E começava, sem que se percebesse, a Era Dilma. Mas isso é outra história e outro personagem. Ela já atingiu o primeiro objetivo. Palocci, que já quis muito, se perdeu, quer se reencontrar consigo mesmo e com o Poder. Fica para depois).
Ministro intocável, pelo menos ele pensava (?) que era, Palocci resolveu fazer em Brasília, tudo o que havia feito em Ribeirão Preto, com extraordinário sucesso e impunidade total. A casa do Ministro da Fazenda se transformou num antro. De tal maneira, que Lula resolveu aproveitar a oportunidade e derrubá-lo.
Negativa final – A devassidão da casa do ministro, precisava urgentemente de uma devassa. E essa foi feita aproveitando o ressentimento de um senador. Tendo perdido a presidência do Senado, o que mais desejava, traiu a amizade e a confiabilidade de importante jornalista, que lhe contou, em sigilo, tudo o que se passava na “Casa dos Mortos”.
Palocci começou a cair, ficou tão exposto, que o empurrão de um caseiro, jogou-o do outro lado da cerca. Lula não perdeu a hora (“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”), eis Palocci enterrado e sem a menor esperança de ressurreição.
Morto, teve a sabedoria de compreender que morto tem que ficar obrigatoriamente em silêncio, não usou da palavra, nem para um protesto simbólico. Foram 4 anos de silêncio, até mesmo para “se vingar” do caseiro. Mas foi amplamente derrotado por esse funcionário humilde, mas digno e correto.
Negativa até no Supremo – Processado (indiretamente por ter se vingado do caseiro), foi massacrado pelo mais alto Tribunal do país. Foi desvendado, minuciosamente, todo o jogo do ainda Ministro, usando a Caixa Econômica (hierarquicamente subordinada a ele) para massacrar o caseiro.
Palocci foi humilhado, desprezado, ficou com as vísceras à mostra em praça pública. Perdão, no plenário do Supremo, que foi magnânimo com ele, poupando Palocci do “tiro de misericórdia”.
Mas Lula não teve o mesmo comportamento, demitiu sumariamente Palocci. E substituiu-o por Mantega, por quem Palocci exibia total desprezo.
Negativa política – Desapareceu da cena por determinação dos fatos, pela ação de Lula, mas teve um mérito (não sei se é a palavra certa, mas funciona) de compreender que a nova estrela seria Dilma Rousseff. Juntou-se a ela, “desprendidamente”, apenas com dois objetivos. 1 – Estabelecer com ela, ligação intransponível e indevassável. 2 – Voltar como deputado, embora em alguns momentos acreditasse e admitisse que a opção deveria ser ou poderia ser o governo de São Paulo.
Logo “desembarcou” desta segunda hipótese, se fixou em ser deputado. Como isso era fácil, ficou sempre perto de Dona Dilma, se tornou importante na campanha. Eleita, e formando a equipe de transição, lá estava Palocci preponderante, já não mais prepotente.
Positiva-Negativa – Foi lembrado para vários cargos, incluindo a Chefia da Casa Civil e a volta ao Ministério da Fazenda. Mas quando se falou nos dois cargos, o próprio Lula veio a público e retumbou: “Palocci, não”.
Ninguém entendeu, mas Lula e o PT são assim. E mais surpreendente. Depois da viagem “mágica” ao G-20, da liquidação de Celso Amorim, da elevação de Mantega (tudo por Dona Dilma), o ainda presidente Lula fez também o seu milagre. E REABILITOU Palocci, junto a ele mesmo e com repercussão no setor Dilma Rousseff.
***
PS – Agora, Palocci subiu aos céus. Pode ser escolhido para qualquer cargo. E ao contrário do que disse antes, indicado Ministro, Lula dirá bem alto: “Palocci,SIM”.
PS2 – Portanto, tudo já estava combinado. E surgiram mais cargos que podem ser ocupados por Palocci. E seja o cargo que for, Palocci estará sentado ao lado de quem daqui a pouco mais de um mês mandará em tudo. Pelo menos, é o que parece.
PS3 – E como Palocci pode ser, sem nenhuma surpresa, Ministro da Fazenda, já surgiu a ordem, dos bastidores para a praça pública: “Não esqueçam de divulgar que Palocci é médico”.
PS4 – Nem precisava, está aí José Serra, que pela primeira vez poderá servir de exemplo: “Eu não sou médico, fui Ministro da Saúde”. Na verdade, Serra e Palocci são o quê?
PS5 – No momento, ninguém sabe. Mas que não arrisquem colocar Palocci fora do centro de tudo. Têm 4 anos para isso. Quatro?

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